quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Sobre ter um ''Capacete da esperança''

No livro ''Fonte Viva'', ditado pelo espírito de Emmanuel a Chico Xavier, eis um capítulo com belo texto intitulado ''Capacete da Esperança''. Somos nesse texto levados a refletir sobre importantes assuntos. Eis que, logo de início, a passagem do livro de Paulo (I Tessalonicenses, 5:8) nos é posta, sendo ela: '' tendo por capacete a esperança na salvação''.

No texto podemos refletir: somos usuários de algum artifício de proteção diante das intempéries da vida? Será que temos algum escudo ou, até mesmo, o tal ''capacete da esperança''? A imagem do capacete nos remete à unidade genésica do pensamento humano. Sim, somos o que somos graças ao que há de tão precioso dentro de nossa cabeça. Sem as riquezas que somos dotados dentro de nossas cabeças, em nada seríamos distintos de um vegetal pelos campos do mundo. Logo: o capacete protege a cabeça. O capacete nos remete à proteção e, de fato: precisamos proteger nossa unidade singular que é a mente.

Nossa mente nos impõe o comportamento que temos. Se dotados de amor, esse amor vem a surgir por nossos atos. Nossos atos surgem sob a égide das instruções mentais para o comportamento desejado. Logo, nossa cabeça precisa ter uma proteção (não meramente física, como a temos através da nossa reforçada calota craniana, mas também proteção à nossa mente).

Se deitamos nossa cabeça no travesseiro e nos permitimos pensar nos atos dos nossos dias, somos levados pela nossa mente a rever ações e reações nossas ou geradas para nós e por nós. Em nos analisando, vemos que ataques de cólera podem nos adoecer, mesmo que momentaneamente, nosso âmago, nossos sentimentos. Da mesma forma, a mente, através do ataque ao nosso raciocínio e ao nosso comportamento, sofre ataques também do desânimo, da desventura, do desalento e, assim, vitimados, esmorecemos.

Precisamos ter um corpo protegido. Daí, temos nosso maior órgão, a pele, que nos afasta das investidas dos elementos danosos do meio. Também temos de ter proteção à nossa mente. Daí advém a metáfora da questão do capacete da esperança. Precisamos sim dele. Pois, quando desventuras nos ocorrem, tendemos a nos desalentar, cair na angústia dos pensamentos vãos de vitimismo, de autopiedade e. não raro, caímos nas teias dos processos patológicos depressivos que se nos mostram um mal do século vigente. 

Temos de ser fortes. Temos de criar o escudo da razão que atue por sobre nossos comportamentos, impedindo que nos deixemos levar pela cólera, pela ignorância, pela desumanidade. Com o escudo da razão, podemos guiar nossos sentimentos para fora de atitudes de autopiedade e sair das rotas de sofrimento às quais, não raro, nos entregamos. 

Temos de ter a consciência tranquila e a mente protegida. Para tal, eis a metáfora do ''capacete da esperança''. As desventuras e inquietações sempre estarão tentando nos atingir. É estranho quando pensamos que há tantas pessoas que lutam pelo bem coletivo e mesmo assim sofrem. Não raro, nos pegamos pensando mal de Deus quando pensamos: ''ora, que injustiça de Deus 'fulano' passar por tal sofrimento'' e mais, dizendo: '' 'fulano' não merecia isso''. No ápice de nossas revoltas, nos perguntamos: '' onde está Deus?''. Mas, nessas horas, estamos dotados os ''óculos da cegueira''. Sim! Mesmo dotados de bons olhos para ver as coisas do mundo, tantas vezes passamos a ter nossa visão metafísica das cosias adoecidas por pensamentos ruins e mal conduzidos por raiva, leviandade etc. Precisamos ser melhores e nos ater menos às raivosas atitudes diante dos sofrimentos dos outros e nossos, pois sofrimentos são uma escola e deixam aprendizados eternos aos nossos espíritos - também eternos que são.

 Ainda, na escala evolutiva em que estamos nesse planeta, temos que os sofrimentos ainda nos são corriqueiros e, sim, é verdade: muitas vezes vemos pessoas de bem sofrendo terrores escabrosos e nos compadecemos delas, não raro, adquirindo ares de ''isso é injustiça'' ou outras verborragias às quais nos entregamos. Mas temos que nos lembrar: ''aquele ser que vemos, aquele espírito ali encarnado e que hoje se faz bom, é bom hoje, mas: o que ele fez em suas vidas anteriores?''. Precisamos pensar sempre sob esse primas e nos proteger dos ataques de desânimo, desalento e angústias. De fato, ''raios anestesiantes são desfechados sobre o ânimo dos aprendizes por todas as forças contrárias ao Evangelho''. Sim, isso é uma verdade. E, se espíritos superiores queremos ser, precisamos enfrentar com altivez os ataques da vida. Para isso, eis que é, de fato, essencial tanto o escudo da razão quanto o ''capacete da esperança''.

Não podemos aceitar ficar parados na vida enfrentando dispersos nossos males tendo em mente revoltas, indignações. Não! Precisamos nos concentrar nos males que nos afligem e, mais que isso: precisamos enfrentar os males que afligem a coletividade na qual nos encontramos. Nesse aspecto, entendo que precisamos estar munidos como para uma guerra. Seriam elas nossas armas: os já mencionados escudo da razão, o capacete da esperança e a espada da fraternidade. Pronto! Assim munidos, poderemos ser fiéis guerreiros diante dos males do mundo. Utilizando a razão, não nos deixaremos abater diante das atrocidades do mundo. Havendo em nossa cabeça o ''capacete da esperança'', não mais deixaremos nossa mente ser afligida pelas ideias de desventura, de ódios ou inquietações. Sendo fraternos, entenderemos que precisamos agir pelo bem coletivo.

Pronto! Precisamos ser guerreiros do Bem Maior. Sejamos crentes nessa ou naquela filosofia religiosa, é mais que necessário estarmos unidos pelo bem comum. Agindo pela fraternidade, com fé e com a razão, seremos uma humanidade melhor e mais fortalecida. Faz-se útil nesse parágrafo salientar a bela frase do texto desse estudo de hoje quando diz-se: ''é necessário esperar o fortalecimento do fraco, à maneira do lavrador que não perde a confiança nos grelos tenros''. Somos todos ''grelos tenros''. Estamos aprendendo sobre a necessidade de ser fortes. 

O enfrentamento dos males da depressão no nosso século nos retrata isso acima exposto. Ademais, ''é imperioso reconhecer, todavia, que a serenidade do cristão nunca representa atitude inoperante''. Sejamos fortes e persistamos nas atitudes do bem para, um dia, sermos calibrosos galhos da árvore da humanidade fraterna - de frutos tão deliciosos, que tanto sonhamos ter e, neles, nos saciar - e não mais os (ainda) ''grelos tenros'' que somos. 

Estejamos dotados de nossas ''armas'' para o bom combate pelo Bem Maior. E não dispensemos nosso ''capacete da esperança'' jamais, pois ''capacete (...) é indumentária de luta, esforço e defensiva''. E lutar, esforçar-se e defender-se são necessidade diárias para nossas existências. 

Sejamos fortes e altivos. E que assim seja!

Nenhum comentário:

Postar um comentário